Há histórias que começam muito antes de uma porta se abrir. No caso da Made in Roça, a história começou na família, passou pelo sítio e por um antigo torrador de café. Só depois chegou ao espaço que hoje abriga a marca, dentro do antigo galpão do Instituto Brasileiro do Café (IBC), em Maringá.
É essa trajetória que Roberta e Everton da Fonseca compartilham no segundo episódio do “Abrindo a Casa”. Criada em 2020, durante a pandemia, a Made in Roça nasceu como uma ideia de família que, aos poucos, deixou de ser brincadeira e se transformou em negócio.

O primeiro passo foi a comercialização de café pela internet. O espaço físico veio depois e acabou levando a empresa para um endereço carregado de memória.
Um café que atravessou gerações
A relação de Everton com o café começou ainda na infância.
O pai, que é de Maringá, precisou deixar a produção local depois da geada negra de 1975. A família encontrou em Minas Gerais um novo caminho para cultivar café e, com ele, veio também uma tradição que seria preservada por gerações. Quando tinha sete anos, Everton aprendeu com a avó a torrar café em um antigo torrador de bolinha, acompanhando o ponto da torra pela experiência e pela observação. Décadas depois, quando começou a trabalhar profissionalmente com cafés especiais, percebeu que aquela memória não precisava ficar no passado. A torra artesanal ensinada pela avó continuou presente no trabalho da Made in Roça.
Antes de chegar ao equipamento atual, inclusive, a produção da Made in Roça começou exatamente como havia aprendido: na lenha e no torrador de bolinha. Os primeiros pacotes vendidos pela empresa, em 2020, carregavam essa técnica familiar. É justamente essa conexão entre passado e presente que define a identidade da marca. Hoje, a tecnologia faz parte da produção, mas, para Everton e Roberta, ela não pode substituir aquilo que consideram essencial: o olhar de quem faz o café.
Uma nova história no antigo IBC
A Made in Roça funciona dentro do espaço que abrigou o antigo IBC, onde milhares de sacas de café passaram ao longo dos anos.

Atualmente, o local abriga o Maringá Tech e mais de 50 empresas, além de um museu permanente que preserva parte da história cafeeira do Paraná. A oportunidade surgiu a partir da participação da Made in Roça no Café On, evento que aproximou a empresa do Sebrae. Inicialmente, a proposta era fazer uma demonstração de torra durante eventos e visitações no espaço. O que começou como uma participação pontual acabou se transformando em uma casa permanente. Depois de conversas, avaliações e uma auditoria, a empresa passou a ocupar o local. Para o casal, servir o primeiro café no espaço próprio foi a concretização de um sonho que vinha sendo construído desde o início da marca. E a experiência ganha uma camada a mais porque o café volta a ser torrado justamente em um lugar que testemunhou parte importante da história cafeeira da região.
Café, pão de queijo e memória
Quem visita a Made in Roça encontra não apenas café. A experiência também passa pelos sabores que fazem parte da história da família. O pão de queijo é um dos destaques da casa. O queijo vem de Minas Gerais e a produção é feita em Maringá, reunindo em um mesmo produto as duas pontas da trajetória da família. Há versões tradicionais e recheadas com goiabada, doce de leite, requeijão, frango e calabresa. Entre as bebidas, estão o Latté Made in Roça, preparado com espresso, leite, licor de café e doce de leite de Minas, e o Latté Caramelo, com café espresso, leite e xarope de caramelo.
A proposta da Made in Roça também passa por aproximar diferentes públicos do universo dos cafés de qualidade, utilizando diferentes perfis de torra. A ideia é que o consumidor que ainda não está acostumado ao café especial possa começar por uma experiência mais próxima do sabor ao qual já está habituado e, gradualmente, conhecer cafés de torras mais claras e características sensoriais diferentes. O café, porém, não termina na xícara. A empresa aproveita o produto também em itens como esfoliante para a pele, aromatizantes, home spray e velas, dentro da proposta de utilizar diferentes partes da cadeia e evitar desperdícios.
Para Roberta e Everton, crescer não significa abandonar a origem. Ao pensar na aquisição de equipamentos para ampliar a produção, o casal chegou a uma conclusão que hoje orienta a marca: a tecnologia precisa estar a serviço do trabalho artesanal, e não o contrário. “Vamos manter o tradicional, não perder essa essência, que é o artesanal”, diz Tom, como é mais conhecido.

Depois de sair da venda online e conquistar uma casa física em um endereço tão simbólico para o café paranaense, a Made in Roça já olha para o próximo capítulo. O sonho de Roberta e Everton é levar a marca para outros lugares e fazer o café produzido por eles “ganhar o mundo”. Por enquanto, quem quiser conhecer essa história pode visitar a Made in Roça na Avenida Centenário, 116, dentro da incubadora tecnológica que fica no antigo IBC. A casa funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30. Em um final de semana por mês, também são abertas visitações especiais, com torra realizada em tempo real. Os dias são divulgados nas redes sociais da marca.
Entre o torrador de bolinha da avó e os equipamentos que hoje permitem ampliar a produção, o café de Everton e Roberta continua fazendo o mesmo caminho: carregando uma história antiga para um novo tempo. A entrevista completa está no nosso canal no YouTube.







